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Sobre a Companhia de Jesus


Jesuitas

A importância dos Jesuítas no Brasil

A importância dos jesuítas para o Brasil foi imensa. Um dos maiores historiadores brasileiros, J. Capistrano de Abreu, disse: "uma história dos jesuítas é obra urgente; enquanto não a possuírmos será presunçoso quem quiser escrever a do Brasil". (Capítulos de história Colonial, 4ª ed., 278.)

João Mendes de Almeida escreve: "Sem diminuir o valor das diversas ordens religiosas, é lícito afirmar que o Brasil foi obra mais dos jesuítas, do que dos donatários e do governo de Portugal" (Algumas notas genealógicas, São Paulo, 1886, 52.) Outros chegaram a dizer que no frontispício da História brasileira campeia resplandecente o glorioso "IHS" jesuítico.

A formação brasileira, em todos os seus aspectos, deve muito aos padres da Companhia. Foram eles que catequizaram, trazendo para a civilização, os grupos indígenas. Foram eles que impediram a desorganização da sociedade colonial, que até a sua chegada sofria os males da falta de guias espirituais. E muitas vezes foram eles os pacificadores das revoltas de brancos e índios.

Foram, também, ardorosos defensores da terra, os nossos primeiros mestres e os primeiros poetas que cantaram o Brasil. Serafim Leite escreveu em seu livro "Páginas da História do Brasil":

"A Companhia tinha 9 anos de existência oficial, quando chegou ao Brasil em 1549. Período, portanto, que se pode chamar de expansão, caracterizado pelo espirito de iniciativa, disciplina criadora, entusiasmo que facilita a conquista. Quinze dias depois de chegarem já tinham os Jesuítas desencadeado a ofensiva contra a ignorância, contra as superstições dos Índios, e contra os abusos dos colonos.

Abriram escolas de ler e escrever: pediram a Tomé de Sousa que restituísse às suas terras os índios, injustamente cativos; iniciaram a campanha contra o hábito de comer carne humana: catequese, instrução, obras sociais, colonização. Na educação brasileira os jesuítas foram particularmente importantes, pois foi por ela que vieram até aqui. Foi para educar e catequizar os índios que cruzaram o oceano. Foram eles os nossos civilizadores. Procuraram desde cedo reunir os índios (começaram com os curumins que eram menos resistentes) para lhes ensinar e lhes tirar de seus vícios.

Nóbrega fundou na Bahia o Colégio dos Meninos de Jesus, que se tornou o centro mais eficaz da catequese e da civilização das crianças no Brasil. Espalharam colégios por todas as capitanias: São Vicente, Porto Seguro, Ilhéus, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, etc.

Além de evangelizar o índio, ao contrário do que se diz, também evangelizaram o negro. Estes eram catequizados, muitas vezes, por padres jesuítas negros, provenientes das casas jesuítas na África. "Foram compostos então, catecismos e gramáticas nas línguas africanas para facilitar a assistência dos missionários aos escravos negros".

(Sobre o trabalho dos jesuítas em prol da educação e dos negros há um interessante trabalho muito pouco divulgado: Igreja e Escravidão TERRA, Martins J. E. S. J.(org) - in Revista de Cultura Bíblica nº 26-27, São Paulo, Loyola, 1983.)

Os Jesuítas foram os pioneiros na educação dos negros: tanto na África, onde já em 1605 tinham inaugurado uma escola em Luanda para os africanos e de onde saíram muitos negros, que desempenharam cargos públicos importantes, como no Brasil. Criaram também diversas escolas profissionais para eles.

Ai está portanto um minúsculo e incompleto elenco da ação dos jesuítas no Brasil. Quanto aos pontos negativos de sua ação educatória, não é difícil encontrar críticas na historiografia moderna. Aliás, é quase só o que se encontra. Não porque tenham sido muitos os maus padres da companhia, mas porque se amplificam e se deturpam seus nomes e suas frases. É obvio que houve maus padres, já que todas as épocas e ordens os tiveram. A nossa época não sofre a falta deles. Porém, a postura oficial da Ordem e da Igreja não pode ser confundida com a de alguns de seus membros.

Hoje em dia se fazem críticas aos jesuítas do passado não tanto por causa de seus maus membros, mas por causa dos bons. Para a historiografia moderna, seu grande erro foi o fato de terem civilizado os índios. Como para o mundo de hoje tudo é relativo e não há verdade, os jesuítas teriam errado ao tentarem "impor" sua religião, suas verdades, seu modo de vestir, seus costumes aos índios, acabando assim com "sua identidade cultural".

Seria interessante porém perguntar quais dos "costumes" indígenas os jesuítas deveriam ter respeitado: o canibalismo, do qual participavam desde as crianças até os velhos? O homossexualismo, que em algumas tribos chegava a ameaçar sua continuidade? A poligamia? As crianças rejeitadas, que eram enterradas vivas? Ou as religiões idolátricas que tinham?

Os reais valores indígenas foram conservados pelos jesuítas; aliás, toda sua cultura o foi. Foram os padres da Companhia de Jesus que compilaram as línguas dos nativos em gramáticas e glossários. A "língua geral" por eles sistematizada se tornaria, até o século XVIII, a principal forma de comunicação no Sul da Colônia, onde o português era desconhecido.

Os jesuítas extirparam apenas seus vícios. Não fizeram isso para torná-los dóceis ao trabalho dos fazendeiros, como dizem muitos. Se fosse essa a razão do trabalho dos jesuítas, não teriam eles sido expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal em 1758, justamente por defenderem os índios dos escravocratas. Fizeram isso por amor aos índios, pelos quais tanto se sacrificaram.

 

Simbolo da Companhia de Jesus

A HISTÓRIA DOS JESUÍTAS

Autora: Laura Pinca

Os jesuítas chegaram ao Brasil em 1549, na expedição de Tomé de Souza, tendo como Superior o Pe.Manuel da Nobréga. Desembarcam na Bahia, onde ajudaram na fundação da cidade de Salvador. Atendiam aos portugueses também fora da Bahia, percorrendo as Capitanias próximas. Com o 2º Governador Geral Duarte da Costa (1553), chega o jovem José de Anchieta. Em 1554, no dia da conversão de São Paulo, funda em Piratininga um Colégio, o qual sustentaria durante dez anos. Aprendeu logo a língua dos índios, da qual escreveu a primeira gramática, dicionário e doutrina.

O Governador Geral Mem de Sá, em 1560 e 1567 expulsa os franceses do Rio de Janeiro e com seu sobrinho Estácio de Sá funda definitivamente a cidade. Em todas essas empresas estavam presentes os jesuítas. Episódio heróico é o desterro de Iperuí (atual Ubatuba) em que Nóbrega e Anchieta são feitos reféns de paz dos índios Tamoios. Nesta ocasião Anchieta escreveu seu célebre Poema à Virgem Maria.

Até o fim do séc. XVI, os jesuítas firmam sua ação através dos seus três maiores colégios: Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco. Nesse tempo deram seu sangue por Cristo o Irmão João de Souza e o escolástico Pedro Correia (1554), mortos pelos carijós em Cananéia; o Beato Inácio de Azevedo e 39 companheiros, Mártires do Brasil, foram afogados no mar pelos calvinistas perto das ilhas Canárias (1570). Outros 12 missionários jesuítas que vinham para o Brasil sofreram o mesmo martírio um ano depois (1571).

No princípio do séc. XVII os jesuítas chegam ao Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e daí para toda a Amazônia. As duas casas, fundadas em São Luís (1622) e em Belém (1626), transformaram-se com o tempo em grandes colégios e em centros de expansão missionária para inúmeras aldeias indígenas espalhadas pelo Amazonas. Antônio Vieira, apesar de seus triunfos oratórios e políticos, em defesa da liberdade dos indígenas, foi expulso pelos colonos do Pará, acusado e preso pela Inquisição.

Em 1638, Pernambuco é tomada por holandeses protestantes, liderados pelo conde Maurício de Nassau. A resistência se organiza numa aldeia jesuítica. Dos 33 jesuítas de Pernambuco, mais de 20 foram capturados, maltratados e levados para a Holanda; cerca de 10 faleceram em conseqüência dessa guerra.

No séc. XVII, quando da descoberta das minas e do povoamento do sertão, os jesuítas passavam periodicamente por esses locais em missão volante. Quando Mariana (MG) foi elevada a diocese (1750), foram chamados para dirigir e ensinar no seminário. Em 1749 já estavam em Goiás, fundando aldeias. No séc. XVIII, Paranaguá tornou-se centro de atividades sacerdotais e pedagógicas, através de uma residência (1708) e do Colégio em 1755. Na ilha de Santa Catarina, visitada pelos jesuítas já desde 1635, se fundou a residência dos jesuítas (1749) e um colégio (1751).

Em 1635, os missionários chegaram à aldeia de Caibi, próximo à atual Porto Alegre. Quando voltaram em 1720, já então se tratava do tratado de permuta entre a Colônia do Sacramento e os territórios das missões jesuíticas espanholas sediadas no Rio Grande. Os jesuítas trabalharam na Colônia do Sacramento desde 1678 até 1758, quando foram expulsos. Chegaram a ter uma residência de ministérios apostólicos e um próspero colégio por vários anos.

 

Supressão da Companhia de Jesus no Brasil (1760-1843)

Aparece nesta altura da história dos jesuítas o Marquês de Pombal. Ab-roga todo o poder temporal exercido pelos missionários nas aldeias indígenas. Para esconder os fracassos da execução do Tratado de Limites da Colônia do Sacramento, culpou os jesuítas desencadeando contra eles uma propaganda terrível.

No grande terremoto de Lisboa (1755), os jesuítas foram censurados por pregarem a penitência ao povo e ao governo. Por ocasião do atentado (1757) contra D. José I, rei de Portugal, os jesuítas foram acusados de alta traição. Em fim, o velho e santo missionário do Nordeste brasileiro, o Pe. Gabriel Malagrida, foi condenado publicamente pela Inquisição como herege, e queimado vivo em praça pública de Lisboa.

Preparado o terreno, veio a lei de expulsão dos jesuítas dos domínios de Portugal. Foram postos incomunicáveis, condenados e privados de todo o direito de defesa. Do Pará e de outros portos, foram embarcados e encarcerados em Lisboa. Naquele momento havia no Brasil 670 jesuítas. De Portugal alguns foram transladados para os Estados Pontifícios, onde o Papa Clemente XIII os recebeu com afeto e hospedou em antigas casas romanas. Com a morte de D. José I em 1777 e a subida ao poder de Dona Maria I, o Marquês de Pombal foi processado e condenado. Só escapou à prisão e à morte por respeito à sua idade e achaques.

 

Restauração da Companhia e Nova Vitalidade no Brasil (1843)

O Papa Pio VII restaurou a Companhia de Jesus em 1814. Alguma influência exerceu no ânimo do Papa a amizade de um jesuíta brasileiro, o Pe. José de Campos Lara, que profetizara sua eleição papal. Em 1842 os jesuítas espanhóis que trabalhavam na Argentina, começaram a ter dificuldades com o ditador Rosas.

Em 1845, expulsos da Argentina, abriram um colégio em Florianópolis, que prosperou rapidamente. Em 1847 abriram uma escola de latim em Porto Alegre. Em 1849 constituíram residência entre os índios Bugres, Coroados e Botocudos. Em 1858 começaram a chegar jesuítas alemães em S. Leopoldo e outras vilas do interior gaúcho. Também vieram alguns padres jesuítas italianos. Em 1862 chega outro grupo de padres italianos e alemães. Em 1865 funda-se de novo o colégio de Florianópolis, que, por diversas circunstâncias, não vingou. Os religiosos se retiraram, pouco a pouco, para Nova Trento, terra habitada por colonos italianos. Em 1867 funda-se o Colégio S. Francisco Xavier do Recife, fechado em 1873 por causa das perseguições da Maçonaria, pois os jesuítas apoiavam o bispo D. Vital, nas questões religiosas de então.

Neste ínterim, o Pe. Razzini, considerado o restaurador da Companhia de Jesus no Brasil, vencendo todas as oposições, começa o Colégio S. Luiz, na cidade de Itú, onde se fixara o Pe. Campos Lara. A partir daí surgiram o colégio Anchieta (Nova Friburgo/RJ) e o Santo Inácio do Rio de Janeiro. Mais tarde a missão dos japoneses com seu Colégio S. Francisco Xavier e a dos russos e lituanos em S. Paulo.

Desde 1894 fundara-se o Noviciado de Campanha em Minas. Ocupando o grande prédio do Colégio Anchieta, fundava-se ao mesmo tempo a Faculdade de Filosofia, mais tarde transferida para S. Paulo, Rio de Janeiro e ultimamente em Belo Horizonte (1981). Com a Missão Alemã no sul do Brasil surgiram diversos Colégios: Anchieta (1890) em Porto Alegre; Ginásio Gonzaga (1895) de Pelotas; Sagrado Coração de Jesus na cidade do Rio Grande. O Ginásio Catarinense (1906), tornou-se centro de ensino e cultura científica. Mais tarde ainda vieram os Colégios Medianeira em Curitiba, Santo Inácio em Salvador do Sul e o Ginásio de Itapiranga.

Novas gerações de jesuítas são formadas na casa de formação de Pareci Novo e no Colégio Cristo Rei (S. Leopoldo), onde brilhou a santidade do Pe. João B. Réus. Merece especial atenção o apostolado social através de cooperativas, fundadas por toda parte, entre os colonos alemães. Em 1911 os jesuítas portugueses voltam ao território norte do Brasil, formando assim a Missão Portuguesa. Fundaram logo o Colégio Antônio Vieira (1911) em Salvador e o Instituto S. Luiz de Caiteté; o Colégio Nóbrega (1917) no Recife, que preparou a atual Universidade Católica de Pernambuco. Ao mesmo tempo fundavam-se Residências importantes em Belém do Pará e S. Luís do Maranhão.

Para a formação de novos jesuítas construíram-se a Escola Apostólica e o Noviciado de Baturité no Ceará. Mais tarde fundou-se o Colégio Santo Inácio de Fortaleza. Salientemos ainda a tarefa da formação do Clero. Desde a fundação do Colégio Pio-Brasileiro em Roma (1934) para a formação de sacerdotes, os jesuítas do Brasil fornecem seus dirigentes, muitos professores e auxiliares.

Neste século, fundaram-se Casas de Exercícios Espirituais, como a do Padre Anchieta no Rio; Vila Fátima, perto de Belo Horizonte; Vila Manresa (Porto Alegre); Morro das Pedras, perto de Florianópolis; S. José (Olinda); a de Baturité, no Ceará; a de Mar Grande na Bahia. Outras são adaptações de antigas casas, como o Centro de Espiritualidade de Itaicí (SP) e o Centro de Espiritualidade Cristo Rei, em S. Leopoldo.

Centro de Espiritualidade de Itaici
Centro de Espiritualidade Inaciana de Itaicí, SP. (http://www.itaici.org.br/)

Os jesuítas se destacam também no apostolado intelectual, principalmente no ensino universitário. Diversas Universidades do país são dirigidas pelos jesuítas: a PUC (RJ), a UNISINOS (S. Leopoldo) e a UNICAP (Recife). Alguns jesuítas trabalham também em Universidades do Governo e em algumas Faculdades próprias ou de outras entidades.